Fora de tudo o homem busca
o inteiro pedaço de si
catando suas tiras
em tiras de jornais.
Fora de tudo o homem busca
pedaço de um pedaço de si
nas metáforas e em suas mácaras.
Fora de tudo o homem espia
dentro de funda palavra
sua casa, sua pia.
Fora de tudo o homem se esforça
busca seu próprio rosto
no veú do vil da farsa
em remanso de vão esforço.
Fora de tudo o homem se fabrica
na estranheza de si e do mundo
dribla santos e demônios
banhando-se em sonho fundo.
Fora de si o homem mergulha
dentro da fala da própria fama
passa camelo pelo orifício da agulha
mas não consegue fugir da própria lama.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
INSTINTO-INSTANTE
Poesia em pessoa possível
jeito ameno no voltar dos olhos
uma fala, uma fada
canção dentro de nós
ciranda de palavras
concerto de vozes.
Todo teu sussurro
sem arranhos e sem abuso
e toda tua bossa
em corpo de desejo se enrosca.
É teu poemágico lendo-me
pelos espelhos dos vocábulos
é todo teu andar, balé de elegância
fazendo sincronia com viva lembrança.
Da lua nua em tua trança
puxando o poeta para lugar nenhum
nos quatro cantos
em quartos de segundos.
jeito ameno no voltar dos olhos
uma fala, uma fada
canção dentro de nós
ciranda de palavras
concerto de vozes.
Todo teu sussurro
sem arranhos e sem abuso
e toda tua bossa
em corpo de desejo se enrosca.
É teu poemágico lendo-me
pelos espelhos dos vocábulos
é todo teu andar, balé de elegância
fazendo sincronia com viva lembrança.
Da lua nua em tua trança
puxando o poeta para lugar nenhum
nos quatro cantos
em quartos de segundos.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
ZEN
Límpida palavra
flamejazul
em teus olhos
Maraberto
ao meu mergulho
perdendo-me
em ti poesia
fazendo o que
sem teu lume
jamais faria.
flamejazul
em teus olhos
Maraberto
ao meu mergulho
perdendo-me
em ti poesia
fazendo o que
sem teu lume
jamais faria.
sábado, 14 de novembro de 2009
Vórtice
Na rota do som
fonemas somem
suicidas nas sílabas
cirandas de fons
fabricam lâminas
des-afiando
laringes
nascem ecos
prenhes de gestos
em lances
de sussurros
na surra de vozes
em restos de urros.
fonemas somem
suicidas nas sílabas
cirandas de fons
fabricam lâminas
des-afiando
laringes
nascem ecos
prenhes de gestos
em lances
de sussurros
na surra de vozes
em restos de urros.
segunda-feira, 9 de março de 2009
TRAVESSIA AZUL
Tento tato
mas sou
só
olfato
neste jardim
de mim
sol
quero mar
nesta manhã
de abril
tento ta(n)to
mas sou
só
aço
juntando pedras
no mormaço
de março
recolho-me
de um chão inóspito
então apanho
esbelta musa
bailarina
a
d
e
s
l
i
z
a
r
sobre
um campo nevado
esvaindo-se em versos
g
o
t
e
j
a
n
d
o
palavras
é a luta
sentenciando este ato
homerizado sangue
azul
no risco
nos trópicos
da fala
e no atlântico
da aura.
segunda-feira, 2 de março de 2009
O ERRANTE
Por um erro me fiz errante
Mais errante que o erro do errado
Mil tropeços no meu passado
Os infernantes constando
Dos meus retalhos
Sem dúvidas, com mágoas
Meu sorriso pichado
Ó triste dor tão infinita,
Não me inflame agora
Não me deixe ser um errante
O mesmo que ontem amava
Nas curvas de um delirante.
Um errado errante
Um facínora
Um desamante
Tantos sonhos refeitos
Tantos tombos levados...
Viver numa clausura com incúria
Tamanha fera qual a rua desabitada
Nos degraus de uma ponte pitoresca?
Na esquina de um velho sobrado?
Não importa,
É um errado,
Um errante de sonhos mutilados
Pelo poder da censura
Pelo beijo que faltou
De dois namorados
Tombos e mais tombos
Por cima de tombos
A angústia ainda rígida
De desejos espuriantes
Retalhos na lembrança
De um poeta vacilante.
Talentos desvalidos
De um filho pródigo ferido
O erro maior que o poema
Nos olhos de quem o ler, será?
Nem tratos nem súplicas
Impedirão todo o refúgio,
Nem o erro nem o errado
Detestará todo o cansaço
Os sentidos embora incendiados
Evocarão sem dó e piedadade
Os tristes fins dos irmãos mutilados
Quebrando as asas insultando a liberdade
Nem ternura fará
Erro regenerar-se
As febris dolências findarem-se
Por encanto nem desalento...
Cicatrizes de um corpo errante
Embora a ferida ainda viva
Debaixo dos seus sentimentos
Na fuga de um céu azul regente...
A fé lavada por dois, três tormentos
Quantas mentiras soltas nos becos,
Quantas revelações de hipocrisia
Tantos foram os secos beijos,
Um errante no mundo de mil fantasias...
Um árduo clamor no campo da vida,
A ciência labutando
O suor do corpo errante
Pergunto ao todo único:
Que rumo tomará este homem desvalido?
Que estranhas coincidências
Tornar-se-ão constantes,
Por quê?
São sete dias e sete horas
De perguntas e cansaço
Deste antigo cangaço
Trate logo de me dizer
O que há por trás deste fracasso...
Reminiscências vagas e profundas
Cortando-me pela ira manipulada,
Por medo e por elucubrações
Calo nos meus pés descalços
Por maldosa estrada...
Sepulta este silêncio de dúvidas
ressuscita todos os tempos perdidos
Respalda as coisas incubidas.
Por seis tombos levados
Não tardará minha queda,
Do mais alto penhasco de torturas
Ao mais extenso mar de lágrimas...
Será profano meu mundo, qual me entristece
Após tantos tropeços e finos sacrilégios
Ainda não esqueci
Os difíceis momentos
E noites de insônia
Eu tentando corrigir um erro
Sentindo o reencontro de outros...
Assegurando-me fortemente nas letras
De uma poetisa risonha, a noite
Na mesa de anfitriões dividindo a ceia
Eu sentindo a dor de um erro
Maior que minha existência
Tudo é tortura, e só fadiga (parece ser).
Uma flor de pétalas queimadas
Pelo poder daciência
É coisa vaga e difícil
De tentar esquecer...
Afoga-me agora, com teus três poderes
Suplico por todos os erros por mim cometidos
Imploro por todos os olhares e bater de pestanas.
Elimina meu todo cansaço e deixa-me
Quieto, por dois mil anos
(E só...)
E ainda que eu cometa um erro
Que eu toque em tua face
Com minhas mãos sôfregas
E meu sorriso pichado,
Revestirei-me da mais pura inocência
Agora já não tenho tanto a te declarar
Dos meus tropeços e soluços
Por mil sonhos de erros que fui censurado,
Pelo poder da vida lá fora
Fruto que a sociedade produz...
É torpor, é agonia
É a ânsia de querer estar contigo
Por dois mil anos e nada mais...
Sinto que alguém
Vê da janela do mundo
Uma vida repartida:
De um lado escrupulosa,
De outro, sangüinária.
São sentimentos sentenciados
Por dor de ida e vinda.
Quem será o precursor nessa janela?
Quem há de fitar minhas pernas combalidas?
Terá lembranças do meu passado?
Com cento e vinte segundos
Entenderá todos os erros
Por mim cometidos.
Interpretarará minhas orações poéticas
No meu corpo sudoríparo inconsumado
Não julgará
Minhas súplicas proféticas
Entenderá meu entender julgado
Ainda hei de sorrir
Com um semblante mais brando
Hei de reviver o melhor
De minha juventude voraz
Sorrindo... Amando... Amando...
Hei de tocar a flor
Sem despetalá-la
Nem curvar o então amor
Nem fazer de um exílio um ermo
(Que profecias são estas?)
São sete dias e sete horas
De perguntas e cansaço
Deste antigo cangaço
Trate logo de me dizer
(O que há por trás do meu fracasso)
Se não sou o fracasso
Se não és a força maior
Então digo:
Somos dois errantes
No ontem distante
Na mente e no solo
Nos olhos que se perdem avante
Nas lágrimas que derramam no colo...
Afeta-me agora, brisa que passa embarcada
Sol que passa ofuscante sobre meus erros
Libertem-me deste mundo
E deixem-me seguir outra estrada...
Aqui o povo anda perdido
Por um quinhão de cruzados
Aflito, reflito nas cinzas e nada encontro
Meu poema é meu chão
A ele entrego o erro humano.
Por ele peço perdão... (!!!)
Perdi-me na opulência
Deixei amarga a saliva doce
(apenas no meu relato)
A ti entrego todas as inspirações concedidas
E não vem a mim com teu Islã
Com teu feitiço melancólico
Não me leve às tuas dúvidas
Não me ilude com a arte gótica.
Estamos em um sagrado vulto decadente
Ânsias inquietantes
Um estopim que se queima urgente
Na fronteira da vida arbitrária
Sei que não sou um Chacal
Em chagas renuncio
Os sinais vermelhos
Causados pelo erro
E cicatrizados prlo errante em trevas.
Mas ainda virá luz
Por um tirano que sepultou o amor
Antes do ano dois mil...
(Será)
Pés alheios não calejam
Nem o tempo permite.
Beijemos a criança raquítica
Amparemos o amor exilado
Plantemos nossa flor típica
Consolidemos o menor angustiado
Ainda em terra, no chão que piso
Pois já já resta de um menino o riso
A outra parte é concreto e fezes...
Meu caos, minha prisão
Parte da vida é muda
Outra parte produção
Crendice, doença aguda
Resto é morte, outro resto chacina
A natureza é traída
Pelo filho da mãe que se aninha.
Favela é fim de mundo
Jardim, artifício
O erro estána cara
É coisa crua encarcerada
É a palavra trocada
É o passado esquecido
É meu eco que explode
Nas volúpias dos dias
Verdadeiro caos me domina agora
Só me resta a poesia,
Que eu me permito chamar
A vida se agita, o coração logo chora
Só me restam agora, as antigas dunas do mar...
( WILLIAM, C. O ERRANTE. São Luís: 1988, ed. do autor. 72p)
Mais errante que o erro do errado
Mil tropeços no meu passado
Os infernantes constando
Dos meus retalhos
Sem dúvidas, com mágoas
Meu sorriso pichado
Ó triste dor tão infinita,
Não me inflame agora
Não me deixe ser um errante
O mesmo que ontem amava
Nas curvas de um delirante.
Um errado errante
Um facínora
Um desamante
Tantos sonhos refeitos
Tantos tombos levados...
Viver numa clausura com incúria
Tamanha fera qual a rua desabitada
Nos degraus de uma ponte pitoresca?
Na esquina de um velho sobrado?
Não importa,
É um errado,
Um errante de sonhos mutilados
Pelo poder da censura
Pelo beijo que faltou
De dois namorados
Tombos e mais tombos
Por cima de tombos
A angústia ainda rígida
De desejos espuriantes
Retalhos na lembrança
De um poeta vacilante.
Talentos desvalidos
De um filho pródigo ferido
O erro maior que o poema
Nos olhos de quem o ler, será?
Nem tratos nem súplicas
Impedirão todo o refúgio,
Nem o erro nem o errado
Detestará todo o cansaço
Os sentidos embora incendiados
Evocarão sem dó e piedadade
Os tristes fins dos irmãos mutilados
Quebrando as asas insultando a liberdade
Nem ternura fará
Erro regenerar-se
As febris dolências findarem-se
Por encanto nem desalento...
Cicatrizes de um corpo errante
Embora a ferida ainda viva
Debaixo dos seus sentimentos
Na fuga de um céu azul regente...
A fé lavada por dois, três tormentos
Quantas mentiras soltas nos becos,
Quantas revelações de hipocrisia
Tantos foram os secos beijos,
Um errante no mundo de mil fantasias...
Um árduo clamor no campo da vida,
A ciência labutando
O suor do corpo errante
Pergunto ao todo único:
Que rumo tomará este homem desvalido?
Que estranhas coincidências
Tornar-se-ão constantes,
Por quê?
São sete dias e sete horas
De perguntas e cansaço
Deste antigo cangaço
Trate logo de me dizer
O que há por trás deste fracasso...
Reminiscências vagas e profundas
Cortando-me pela ira manipulada,
Por medo e por elucubrações
Calo nos meus pés descalços
Por maldosa estrada...
Sepulta este silêncio de dúvidas
ressuscita todos os tempos perdidos
Respalda as coisas incubidas.
Por seis tombos levados
Não tardará minha queda,
Do mais alto penhasco de torturas
Ao mais extenso mar de lágrimas...
Será profano meu mundo, qual me entristece
Após tantos tropeços e finos sacrilégios
Ainda não esqueci
Os difíceis momentos
E noites de insônia
Eu tentando corrigir um erro
Sentindo o reencontro de outros...
Assegurando-me fortemente nas letras
De uma poetisa risonha, a noite
Na mesa de anfitriões dividindo a ceia
Eu sentindo a dor de um erro
Maior que minha existência
Tudo é tortura, e só fadiga (parece ser).
Uma flor de pétalas queimadas
Pelo poder daciência
É coisa vaga e difícil
De tentar esquecer...
Afoga-me agora, com teus três poderes
Suplico por todos os erros por mim cometidos
Imploro por todos os olhares e bater de pestanas.
Elimina meu todo cansaço e deixa-me
Quieto, por dois mil anos
(E só...)
E ainda que eu cometa um erro
Que eu toque em tua face
Com minhas mãos sôfregas
E meu sorriso pichado,
Revestirei-me da mais pura inocência
Agora já não tenho tanto a te declarar
Dos meus tropeços e soluços
Por mil sonhos de erros que fui censurado,
Pelo poder da vida lá fora
Fruto que a sociedade produz...
É torpor, é agonia
É a ânsia de querer estar contigo
Por dois mil anos e nada mais...
Sinto que alguém
Vê da janela do mundo
Uma vida repartida:
De um lado escrupulosa,
De outro, sangüinária.
São sentimentos sentenciados
Por dor de ida e vinda.
Quem será o precursor nessa janela?
Quem há de fitar minhas pernas combalidas?
Terá lembranças do meu passado?
Com cento e vinte segundos
Entenderá todos os erros
Por mim cometidos.
Interpretarará minhas orações poéticas
No meu corpo sudoríparo inconsumado
Não julgará
Minhas súplicas proféticas
Entenderá meu entender julgado
Ainda hei de sorrir
Com um semblante mais brando
Hei de reviver o melhor
De minha juventude voraz
Sorrindo... Amando... Amando...
Hei de tocar a flor
Sem despetalá-la
Nem curvar o então amor
Nem fazer de um exílio um ermo
(Que profecias são estas?)
São sete dias e sete horas
De perguntas e cansaço
Deste antigo cangaço
Trate logo de me dizer
(O que há por trás do meu fracasso)
Se não sou o fracasso
Se não és a força maior
Então digo:
Somos dois errantes
No ontem distante
Na mente e no solo
Nos olhos que se perdem avante
Nas lágrimas que derramam no colo...
Afeta-me agora, brisa que passa embarcada
Sol que passa ofuscante sobre meus erros
Libertem-me deste mundo
E deixem-me seguir outra estrada...
Aqui o povo anda perdido
Por um quinhão de cruzados
Aflito, reflito nas cinzas e nada encontro
Meu poema é meu chão
A ele entrego o erro humano.
Por ele peço perdão... (!!!)
Perdi-me na opulência
Deixei amarga a saliva doce
(apenas no meu relato)
A ti entrego todas as inspirações concedidas
E não vem a mim com teu Islã
Com teu feitiço melancólico
Não me leve às tuas dúvidas
Não me ilude com a arte gótica.
Estamos em um sagrado vulto decadente
Ânsias inquietantes
Um estopim que se queima urgente
Na fronteira da vida arbitrária
Sei que não sou um Chacal
Em chagas renuncio
Os sinais vermelhos
Causados pelo erro
E cicatrizados prlo errante em trevas.
Mas ainda virá luz
Por um tirano que sepultou o amor
Antes do ano dois mil...
(Será)
Pés alheios não calejam
Nem o tempo permite.
Beijemos a criança raquítica
Amparemos o amor exilado
Plantemos nossa flor típica
Consolidemos o menor angustiado
Ainda em terra, no chão que piso
Pois já já resta de um menino o riso
A outra parte é concreto e fezes...
Meu caos, minha prisão
Parte da vida é muda
Outra parte produção
Crendice, doença aguda
Resto é morte, outro resto chacina
A natureza é traída
Pelo filho da mãe que se aninha.
Favela é fim de mundo
Jardim, artifício
O erro estána cara
É coisa crua encarcerada
É a palavra trocada
É o passado esquecido
É meu eco que explode
Nas volúpias dos dias
Verdadeiro caos me domina agora
Só me resta a poesia,
Que eu me permito chamar
A vida se agita, o coração logo chora
Só me restam agora, as antigas dunas do mar...
( WILLIAM, C. O ERRANTE. São Luís: 1988, ed. do autor. 72p)
DO AVESSO DO AVESSO DO AVESSO
arrancar os olhos da verdade
fazendo cega
a própria carne
num corpo abstrato
e sóbrio
é
a verdade em seu disfarce
golpeando força e medo
agitando as veias do passado
implodindo glóbulos brancos
em pensamentos vermelhos
é
tanger a própria alma
enxotando o próprio termo
inclinando-se ao alabastro
retorcendo-se por entre os nervos
é
arrancar a própria fala
fazendo do dentro um mito em sina
sinônimo de loucura e fêmea tara
na profunda rasura da própria aura
é
trégua de querer a sua falha
assumindo o instante em pesadelo
fazendo do nome um bruto caos
interrando o canto em seu desvelo
da mancha eterna da sina em cena
é
expremer-se por entre as letras
sendo sucata de vírgulas
na oficina das fusões
nos hiatos das canções partidas
nos ditongos das mágoas
na fonêmica da ânsia amarga
é
moer-se por entre as frases
fraseando o próprio eu
numa sinônima sintaxe da saudade
numa explosão semântica de eus.
fazendo cega
a própria carne
num corpo abstrato
e sóbrio
é
a verdade em seu disfarce
golpeando força e medo
agitando as veias do passado
implodindo glóbulos brancos
em pensamentos vermelhos
é
tanger a própria alma
enxotando o próprio termo
inclinando-se ao alabastro
retorcendo-se por entre os nervos
é
arrancar a própria fala
fazendo do dentro um mito em sina
sinônimo de loucura e fêmea tara
na profunda rasura da própria aura
é
trégua de querer a sua falha
assumindo o instante em pesadelo
fazendo do nome um bruto caos
interrando o canto em seu desvelo
da mancha eterna da sina em cena
é
expremer-se por entre as letras
sendo sucata de vírgulas
na oficina das fusões
nos hiatos das canções partidas
nos ditongos das mágoas
na fonêmica da ânsia amarga
é
moer-se por entre as frases
fraseando o próprio eu
numa sinônima sintaxe da saudade
numa explosão semântica de eus.
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